Discurso da presidenta global não contempla trabalhadores

Ana Botín se referiu ao Santander como um ‘banco de diversidade’, demonstrando desconhecer a realidade da instituição no Brasil Ana Botín se referiu ao Santander como um ‘banco de diversidade’, demonstrando desconhecer a realidade da instituição no Brasil
sexta-feira, 15/03/2019

A presidenta global do Banco Santander, Ana Botin, esteve na manhã de quinta-feira (14/03), na torre do banco, em São Paulo, onde falou a. 600 funcionários. Outros 11 mil assistiram pelo aplicativo Santander Now, ao que deveria ser a apresentação da estratégia do grupo para 2019. Porém, acabou sendo a discrição de um banco que não existe no Brasil.

“Ela se referiu ao Santander como um ‘banco de diversidade’. Porém, esqueceu que o Santander tem poucas mulheres em cargos de liderança aqui no Brasil. E, que as mulheres, em média, continuam ganhando menos que os homens, no cumprimento das mesmas funções”, lembrou o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT e funcionário do banco, Mário Raia.

Ana Botin disse também que não há distinção cultural, que o trabalhador não precisa ter universidade, mas pode ser um talento incrível. “Embora o banco ofereça bolsas de graduação aos funcionários, fruto de luta dos trabalhadores, ele praticamente exige graduação nas suas contratações”, salienta o dirigente sindical.

A presidenta global do Banco Santander parabenizou o trabalho do presidente do banco no Brasil, Sergio Rial.

Para Mário Raia, ficou claro o desrespeito pelos trabalhadores e trabalhadora brasileiros. “Quem merecia os parabéns é o corpo de funcionários, que é responsável pelos excelentes resultados, com muito trabalho”.

Ana disse ainda que o Santander sempre buscou crescimento sustentável e que o banco é responsável quando ajuda a uma empresa a criar empregos e uma pessoa a comprar a casa. “O banco responsável também é aquele que valoriza o esforço de cada funcionário que contribui para seu crescimento”, completou.

Ana Botin afirmou que o banco não é uma instituição de caridade, pois tem acionistas e tem de ganhar dinheiro. Além de que não é possível para agradar a todos o tempo todo, por isso banco busca um equilíbrio entre os diversos atores da sociedade. “Mais uma vez ela se esqueceu de falar dos trabalhadores e trabalhadoras. E quando o banco fala em procurar esse balanço, aqui no Brasil deveria começar com os trabalhadores. Mas, não é isso que tem ocorrido nas últimas mesas de negociações”, disse a coordenadora da COE (Comissão de Organização dos Empregados) do Santander, Maria Rosani.

Antes de encerrar, a presidenta global do Banco Santander deixou clara a falta de responsabilidade social dos bancos. Ela disse que quer investir mais, mas precisa contar com a fortaleza das instituições brasileiras e a implantação de reformas estruturais, como a reforma da Previdência.

“O interesse deles no Brasil é apenas lucrar, sem nenhuma contrapartida social. Eles querem a reforma da Previdência para poder lucrar com a previdência privada e não por se preocupar com a aposentadoria dos brasileiros”, finalizou Maria Rosani.

Depois da apresentação da executiva, o evento foi aberto a perguntas dos presentes. Porém, nenhum dirigente sindical foi selecionado para fazer questionamentos.

Carta aberta é entregue à presidenta global

Os dirigentes sindicais aproveitaram o evento para distribuir uma Carta Aberta à executiva para reivindicar uma reunião. “… insistimos na interlocução com a presidenta mundial do banco, Ana Botín, já que os desrespeitos para com os trabalhadores e o direito de negociação coletiva efetiva por parte da gestão nacional do Santander já extrapolaram o limite aceitável, se esquivando das responsabilidades e soluções para os problemas. Nós, bancários brasileiros, não cobramos mais nada do que boas condições de trabalho, respeito, valorização, liberdade sindical e responsabilidade social”, diz trecho da Carta.

Clique aqui para ler a carta aberta.

Por Rodrigo Zevzikovas/Contraf-CUT

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