Congresso tem até junho para votar proposta de Lula sobre o fim da escala 6x1

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23 de abril 2026

Foto: Agência Brasil-Arquivo

A luta da CUT e das demais Centrais Sindicais alcançou um dos seus objetivos na última terça-feira (13/04), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou mensagem presidencial formalizando o envio ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, de PL (Projeto de Lei) que coloca fim à escala 6x1, garante  dois dias de descanso e limita jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. 

Um Projeto de Lei em caráter de urgência constitucional precisa de 257 votos na Câmara e no Senado a maioria simples, desde que no dia da votação estejam presentes no plenário, no mínimo, 42 dos 81 senadores.

Todo esse processo precisa ser feito em 45 diasa partir da data que chega ao Congresso Nacional, completados no próximo mês de junho.

A proposta do Governo Federal

  • Jornada semanal: limite passa de 44 para 40 horas
  • Descanso ampliado: ao menos dois dias de repouso semanal remunerado
  • Novo padrão: consolidação do modelo 5x2 e redução das horas trabalhadas
  • Salário protegido: vedada qualquer redução salarial
  • Abrangência ampla: inclui domésticos, comerciário, atletas, aeronautas, radialistas e outras categorias abrangidas pela CLT e leis especiais.
  • Aplicação geral: limite de 40 horas passa a valer também para escalas especiais e regimes diferenciados
  • Flexibilidade: mantém escalas como 12hx36 por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana

Resistência ao projeto

O presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que deve deixar de lado o projeto de lei de autoria do governo sobre o fim da jornada de trabalho 6x1 e priorizar a tramitação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o tema, segundo o Portal UOL.

Uma PEC tem um trâmite mais lento, com debates na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, além precisar de mais votos no plenário do Congresso: 308 na Câmara e 49 no Senado para ser aprovada. O debate sobre a PEC está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, que determina se a proposta é constitucional e pode ser levada à votação.

Na Câmara há duas PECs) em análise de autoria dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG), da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O texto principal em discussão é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes que reduz a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Já a proposta da deputada Érica Hilton prevê a redução da jornada para quatro dias por semana – a escala 4x3.

Como as propostas são sobre o mesmo tema, as duas foram apensadas. Ou seja, um conjunto de modelos de redução da jornada podem acabar sendo combinados em um texto final.

Na última quarta-feira (15), o relator da PEC na CCJ Paulo Azi (União-BA), leu seu parecer favorável, mas em seguida, o deputado Lucas Hedecker (PSD-RS) pediu o adiamento da votação, que deverá ocorrer na última semana de abril.

Por Redação CUT Brasil, com edição de Rosely Rocha