Contraf-CUT avalia que corte da Selic é positivo, mas juros ainda permanecem em patamar elevado
17 de setembro 2026
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu na quarta-feira (16/09) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano. A decisão dá continuidade ao ciclo de redução dos juros e ocorre em um cenário de desaceleração da inflação e de perda de ritmo da atividade econômica.
Para o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, a redução é importante, mas o nível dos juros básicos ainda representa uma forte restrição para a economia brasileira. “A redução da Selic é uma medida importante, mas ainda insuficiente diante do patamar elevado dos juros no Brasil. A taxa básica influencia diretamente o custo do crédito e, consequentemente, as condições para o consumo, o investimento e a geração de empregos. É fundamental que o processo de redução tenha continuidade, de forma a permitir que os efeitos positivos cheguem à economia real e às famílias”, afirma Walcir.
A inflação acumulada em 12 meses desacelerou, enquanto os indicadores de atividade econômica mostram sinais de perda de ritmo. O IBC-Br, calculado pelo Banco Central e utilizado como indicador antecedente do PIB, registrou queda de 0,6% em junho na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. O próprio Banco Central aponta, em suas análises, perspectiva de crescimento moderado no segundo semestre em um ambiente de política monetária ainda contracionista.
Juros altos têm impacto sobre famílias, empresas e contas públicas
Os efeitos de uma taxa de juros elevada vão além do custo de empréstimos, cartões de crédito e financiamentos. Para as famílias, juros altos dificultam o acesso ao crédito e comprometem uma parcela maior da renda com o pagamento de encargos financeiros.
Para as empresas, o custo elevado do dinheiro pode dificultar investimentos, expansão da produção e contratação de trabalhadores. Já para o setor público, uma parcela relevante da dívida está vinculada a taxas de juros, aumentando o custo financeiro para o Estado.
Na revisão do PAF (Plano Anual de Financiamento) de 2026, o Tesouro Nacional projetou que os títulos públicos remunerados pela Selic representem entre 49% e 53% da Dívida Pública Federal ao final do ano.
Para Walcir Previtale, a discussão sobre a política monetária precisa considerar seus efeitos sobre toda a sociedade. “Quando os juros permanecem elevados por muito tempo, o custo não fica restrito ao sistema financeiro. Ele pesa no orçamento das famílias, encarece o financiamento das empresas e aumenta a despesa do setor público com juros da dívida. A redução da Selic abre espaço para uma economia com mais crédito e investimento, mas é necessário avançar para que esse processo produza efeitos concretos sobre o emprego, a renda e as condições de vida da população”, destaca o secretário da Contraf-CUT.
Contraf-CUT defende continuidade da redução
A Contraf-CUT avalia que a combinação entre a desaceleração da inflação e sinais de perda de dinamismo da atividade econômica reforça a importância de uma trajetória de redução dos juros. “O Brasil precisa superar um modelo em que o crédito caro funciona como freio para a atividade econômica. A política monetária deve levar em conta não apenas os indicadores do mercado financeiro, mas também seus impactos sobre trabalhadores, consumidores, empresas e sobre a capacidade do Estado de financiar políticas públicas. Com a Selic ainda em 13,75% ao ano, há espaço para que o ciclo de redução continue”, conclui Walcir Previtale.
Fonte: Contraf-CUT