Estudo da Fenae corrobora com pesquisa do Ministério da Saúde sobre saúde mental dos brasileiros

Estudo da Fenae corrobora com pesquisa do Ministério da Saúde sobre saúde mental dos brasileiros

27 de março 2026

O Ministério da Saúde iniciou, nesta semana, a etapa nacional de coleta de dados da PNSM-Brasil (Pesquisa Nacional de Saúde Mental). A pesquisa é o primeiro grande estudo de base populacional dedicado exclusivamente a compreender a situação da saúde mental da população adulta brasileira. Para a Fenae (Federação Nacional das Associações do

Pessoal da Caixa), a medida é oportuna num cenário em que, cada vez mais, as doenças de origem mental aparecem entre os principais motivos de afastamento de trabalhadores. 

A saúde mental dos empregados da Caixa Econômica Federal sempre foi uma preocupação para a Fenae. Para fazer o mapeamento da dimensão do problema dentro do banco, a entidade realiza continuadamente pesquisas e avaliações com os empregados. A mais recente, foi realizada em julho de 2025, que revelou um quadro preocupante de adoecimento físico e mental na instituição bancária. 

Na época, a pesquisa revelou que pelo menos 37% dos empregados já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, com predominância para ansiedade, seguida de estresse, depressão, burnout, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Destes, 39% estão lotados nas agências e 30% na área meio. Mais da metade (61%) afirma não perceber apoio adequado à saúde mental por parte da Caixa. Nas agências, esse índice chega a 66%.

Sergio Takemoto, presidente da Fenae, reafirma o compromisso da entidade em elaborar ações e em continuar cobrando medidas do banco que venham ajudar na saúde dos empregados.   “A direção do banco deve observar e implementar ações que venham preservar a saúde mental dos empregados. Na maioria das vezes, a pressão por metas, associada a diversos fatores, como o medo do descomissionamento, está adoecendo a categoria”, reforça. “Precisamos de uma mudança urgente na forma como o banco lida com seus trabalhadores, colocando a saúde física e mental como prioridade e preservando a função social da Caixa”, afirma Takemoto.

Mais dados da Pesquisa 

Os dados mostraram uma dinâmica de adoecimento associada à ameaça constante de descomissionamento e à pressão para vender produtos não considerados úteis ou benéficos à população. Essa prática, segundo a Fenae, não apenas compromete a saúde dos trabalhadores, mas também a função social do banco.

Mais de um terço dos bancários (32%) afirmou que se sente sob ameaça permanente de descomissionamento. Empregados com idade entre 40 e 49 anos, o índice sobe para 45%. Dois em cada três empregados já vivenciaram diretamente o descomissionamento (como vítimas ou testemunhas). A pressão por vender produtos inadequados atinge 41% dos respondentes, chegando a 46% na rede de agências. Entre os mais jovens, até 39 anos, e o grupo de 40 a 49 anos, o índice combinado chega a 59%.

Sobre a pesquisa do Ministério da Saúde 

De acordo com o Ministério, problemas relacionados à saúde mental, como depressão, ansiedade e uso excessivo de álcool e outras drogas, estão entre as principais causas de sofrimento, incapacidade e afastamento do trabalho no Brasil e no mundo. A pesquisa permitirá estimar a prevalência de diferentes condições de saúde mental na população, compreender como se distribuem entre diferentes grupos sociais e identificar fatores de risco e de proteção relacionados às condições de vida para aprimorar a oferta de cuidado.

A PNSM-Brasil é um estudo domiciliar com amostra probabilística representativa da população brasileira com 18 anos ou mais. Os domicílios participantes serão selecionados de forma aleatória, garantindo a representação de pessoas de diferentes regiões, perfis sociais e condições de vida. Em cada domicílio selecionado, uma pessoa será sorteada para participar da entrevista. Caso a sorteada não possa responder naquele momento, é possível agendar outro horário para a realização da entrevista.

Apenas um número limitado de domicílios será selecionado, portanto, a participação das pessoas convidadas é fundamental para que os resultados representem adequadamente a população brasileira. As entrevistas serão realizadas presencialmente por pesquisadores treinados, utilizando questionário eletrônico em tablet. O instrumento aplicado segue padrões internacionais recomendados para pesquisas sobre saúde mental.

Durante a abordagem, serão feitas perguntas sobre condições de saúde, experiências de vida, relações sociais, trabalho e renda, bem como aspectos de bem-estar emocional, uso de álcool e outras substâncias e busca por cuidados em saúde. A participação na pesquisa é voluntária e ocorre apenas após o consentimento livre e esclarecido do participante – que poderá interromper a entrevista ou deixar de responder alguma pergunta, se assim desejar.

Fonte: Fenae, com informações do Ministério da Saúde